domingo, 19 de maio de 2013

Sexta-feira, 18h, no Árabe do Largo do Machado.

"Tá vendo? Podia ter feito tudo direito, mas qué sempre saír da linha, qué sempre fazer merda! Agora já era, também não adianta chorar, acabou c'a tua vida. E a vergonha lá na frente de todo mundo?! Mas dessa vez tu vai ver só. Pode ter certeza! Me aguarde, isso não vai ficar assim! E termina logo esse kibe, que a gente tem que ir pra casa! A vida é assim: cada um paga pelo erro que faz, e você vai pagar - ah, se vai!". O réu, sete ou oito anos, franzino, em silêncio, cabeça baixa, os olhos vermelhos levantados para a magistrada de ocasião - quarenta-e-poucos, o corpo ligeiramente obeso espremido em um vestido rosa que havia muito tempo não lhe era mais digno. De vez em quando o menino, fungando o nariz sem resfriado, fazia um aceno tímido com a cabeça, enquanto mastigava vagarosamente o bolo de carne que mal cabia na sua mão. Parecia um crime hediondo, mas era só uma reprovação em Matemática.

Enquanto tanto se debate na justiça pública, na privacidade dos tribunais domésticos a maioridade penal já foi reduzida há muito tempo.

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