Passou
a adolescência sonhando em se tornar poeta marginal. Aos vinte e dois
pegou o .38 no alto do armário do pai, escondido atrás dos enfeites
natalinos. Pegou o 342 no Centro, sentido Jardim América. Chegando em
Vigário Geral, altura da Xavier Pinheiro, sacou a arma. O ônibus estava
vazio, mas ainda levou dez celulares, três relógios, pouco menos de
trezentos reais e a satisfação de quem já percorreu metade do caminho:
"Agora só falta a poesia."
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