domingo, 19 de maio de 2013

Vocação.

Passou a adolescência sonhando em se tornar poeta marginal. Aos vinte e dois pegou o .38 no alto do armário do pai, escondido atrás dos enfeites natalinos. Pegou o 342 no Centro, sentido Jardim América. Chegando em Vigário Geral, altura da Xavier Pinheiro, sacou a arma. O ônibus estava vazio, mas ainda levou dez celulares, três relógios, pouco menos de trezentos reais e a satisfação de quem já percorreu metade do caminho: "Agora só falta a poesia."

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