domingo, 19 de maio de 2013

McDonald's, 16h.

A moça semi-roliça-quase-gordinha-dá-um-caldo ao meu lado parece incapaz de relaxar os músculos maxilares, alternando continuamente as contrações entre o colóquio afetivo com a amiga no celular e as mordidas no quarteirão-com-queijo:

- [com a boca cheia de comida] é o que eu tô falando, amiga: se ele não gosta de mim então por causa de quê ele ia me levar praquele churrasco com família e tudo? mensagenzinha de fêicibúki, torpedinho de de tô-cum-saudade, e agora vem com esse papo de tô-curtindo, de preciso-de-um-tempo-sozinho...tománocu...é, cê tá certa...pois é, muito sem-noção...mas eu tô bem, amiga, sabe...ah, eu só quero um homem de verdade, cansei de moleque...isso, claro...[com um pedaço de carne saindo pelo canto da boca] ah, eu tô ótima...é mesmo, e sabe? tô muito melhor agora...é, você tá certa, a fila aaaanda hahaha!...então sábado fechô, né?

E a cada frase, ou meia-frase, ou palavra mais longa, lá vinha outra dentada gulosa da não-amada. Impregnava-se daquele respeito-próprio que a gente mede em calorias, e mordia o sanduíche como se o coração ingrato do não-amante lhe fosse servido com duas fatias de queijo cheddar.

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