A moça semi-roliça-quase-gordinha-dá- um-caldo
ao meu lado parece incapaz de relaxar os músculos maxilares, alternando
continuamente as contrações entre o colóquio afetivo com a amiga no
celular e as mordidas no quarteirão-com-queijo:
- [com a boca cheia de comida] é o que eu tô falando, amiga: se ele não gosta de mim então por causa de quê ele ia me levar praquele churrasco com família e tudo? mensagenzinha de fêicibúki, torpedinho de de tô-cum-saudade, e agora vem com esse papo de tô-curtindo, de preciso-de-um-tempo-sozinho... tománocu...é,
cê tá certa...pois é, muito sem-noção...mas eu tô bem, amiga,
sabe...ah, eu só quero um homem de verdade, cansei de moleque...isso,
claro...[com um pedaço de carne saindo pelo canto da boca] ah, eu tô
ótima...é mesmo, e sabe? tô muito melhor agora...é, você tá certa, a
fila aaaanda hahaha!...então sábado fechô, né?
E a cada frase, ou meia-frase, ou palavra mais longa, lá vinha outra dentada gulosa da não-amada. Impregnava-se daquele respeito-próprio que a gente mede em calorias, e mordia o sanduíche como se o coração ingrato do não-amante lhe fosse servido com duas fatias de queijo cheddar.
- [com a boca cheia de comida] é o que eu tô falando, amiga: se ele não gosta de mim então por causa de quê ele ia me levar praquele churrasco com família e tudo? mensagenzinha de fêicibúki, torpedinho de de tô-cum-saudade, e agora vem com esse papo de tô-curtindo, de preciso-de-um-tempo-sozinho...
E a cada frase, ou meia-frase, ou palavra mais longa, lá vinha outra dentada gulosa da não-amada. Impregnava-se daquele respeito-próprio que a gente mede em calorias, e mordia o sanduíche como se o coração ingrato do não-amante lhe fosse servido com duas fatias de queijo cheddar.
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